Tópico: Colectores
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Antigo 13-05-2009, 13:30   #1
lude
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Padrão Colectores

COLECTORES


Quando nos decidimos em comprar um colector a primeira questão que normalmente se põe é:

“Será que devo comprar um 4-2-1 ( Tri-Y ) ou um 4-1? “

A melhor sugestão que posso dar é, percebe o porquê de cada desenho e depois sim decide qual será o que se ajusta mais as tuas necessidades. Não comprem um colector ou outra parte qualquer porque o vosso amigo disse que…

Neste artigo vão poder perceber os porquês dos vários desenhos e um desenho novo de colectores que ainda não é muito conhecido.

Contudo não se esqueçam que o escape é um sistema “ Colector + Catalizador + B-pipe + Panela “ e funcionam todos juntos com o mesmo objectivo. Por isso torna-se também fundamental ver se as peças que dispõe são ideais umas para as outras.

Neste momento existem 3 desenhos de colectores no mercado.

Os 4-1, os 4-2-1 e os 4-2-1 Híbridos. É do conhecimento geral que os 4-1 dão mais potência em “altas” sacrificando as médias e baixas, e que os 4-2-1 dão mais “medias” sacrificando as altas. Porem com o surgimento dos colectores híbridos este cenário alterou-se um pouco este tipo de colectores consegue o melhor dos dois mundos como vão poder ver.

O tamanho das primárias, secundarias e dos colectores ( colectores aqui referindo-me à parte do colector que conecta ao catalizador ) e também o diâmetro, afectam directamente em que rotação se obtém o máximo de potência. É mais uma vez essencial saber onde se quer a “powerband” para decidir que tipo de colector se quer. Porem o seu desenho curvatura também influencia. No fim de contas tudo se resume a uma coisa. Onde é que nós queremos o nosso “Pico de Torque”, numa curva onde se relaciona o torque e a rotação a que o motor está pode-se ver que vai existir um momento em que se vai atingir um torque máximo e a partir dai volta a decrescer. Muitas vezes vai-se até ao limite do red line para se obter o máximo do carro….mas isso pode estar errado se o pico de torque estiver antes, por exemplo nas 7000 rpms ou nas 8000 rpms e não nas 9000 que e onde o está o corte. Logo uma mudança metida as 9000rpms já estaria a perder tempo e potencia.

Coloquemos então de novo a questão.

Qual o objectivo de um sistema de escape?

1- Retirar o ar que já foi queimado da câmara de combustão

2- Manter a propagação dos gases até ao exterior na sua máxima velocidade

Quando isto acontece podemos tirar partido de outro fenómeno chamado “scavenging”, e afinal o que é isto? Bom à medida que o ar sai tal como vimos no Artigo de Noções Básicas, os pulsos do gás têm no fim uma zona de baixa pressão que há medida que se movem arrastam o que vem antes, e isto vai-se verificando ate que entramos na câmara de combustão e então também o ar “novo” será puxado pelos gás que vai a sair para dentro da câmara de combustão. Este fenómeno ajuda-nos a obter um melhor rendimento pois temos mais ar “novo” e uma mistura mais rica em O2. Logo obtemos melhor combustão e mais potência.


Os 5 principais Factores que afectam onde o pico de torque vai ocorrer

- Diâmetro

Um diâmetro maior vai condicionar directamente onde é atingido o pico de torque. Com um maior diâmetro fazemos esse pico passar paras rotações mais altas, ao mesmo tempo aumentamos o torque. Podemos então dizer que um diâmetro maior tem como resultado um maior torque com o seu pico em rotações mais altas.

Podemos também varia o diâmetro há medida que se desde dos colectores até as secundarias. A isto chama-se “stepping” um colector com este desenho tem um efeito “anti-reverse” ou seja evita ou torna mais difícil o retorno de ar que já foi “queimado” para dentro da câmara de combustão. Outra maneira de ter este efeito de anti-reversão é ter a flange ou seja a parte onde encaixa no motor, um pouco maior que a saída do motor. Alguns colectores usam esta técnica também.

Na imagem temos um colector Toda, como se pode ver é mais estreito nas primarias com 45mm e mais largo no colector com 60 mm.



Comprimento

Com colectores mais compridos consegue-se mais torque antes de chegar ao pico de torque. Ou seja se o pico de torque era nas 4000mil rpms vai-se manter, mas onde antes nas 3000 rpms o torque era 100 passa agora a ser 120. ( Estes números são fictícios e são apenas um exemplo irreal para mera explicação )

Isto é conseguido pois tubos mais longos têm o efeito acelerador nos gases, ou seja os gases de escape vão ganhar mais velocidade e vai-se então conseguir mais torque.

- União das secundarias no colector ( Diâmetro, Ângulo, Posição e forma da saída )

Em termos de forma, falamos aqui de que forma se juntam as secundarias ou seja, num 4-2-1 juntam-se primeiro em 2 grupos de 2 e de seguida num só. Já num 4-1 juntam-se todos os 4 num só ao mesmo tempo.

Aqui temos dois exemplos:



Mais pequenos e com diâmetro maior têm mais pico de potencia.
Mais longos com diâmetro menor têm mais potência nas “médias”

O ângulo em que se juntam as primarias não deve ser nem demasiado agudo nem demasiado obtuso. O ideal é um intermédio para que se mantenha os pulsos de gás de escape ao máximo da sua velocidade.

- Como é que as primarias são juntas. Sequencialmente ou não sequencialmente.

A ignição dá-se numa certa ordem, por exemplo num Integra a ordem é 1,3,4,2, isto vai determinar como é óbvio de onde vêem primeiro os gases de escape.
A maneira como se junta as primarias afecta directamente a potencia e a que rotação de obtém a mesma. Alinhamento sequencial dá, regra geral uma “powerband” maior e uma aceleração melhor do motor.

Pode-se ver claramente como estão as primárias ligadas. 1-2 e 3-4 ( sequencial ) ou 1-4 e 2-3 ( não sequencial )

Um famoso fabricante de colectores SMSP diz que:

...a ordem de "disparo" é 1-3-4-2, if se adicionarmos alguns ciclos mais fica algo como isto: 1-3-4-2-1-3-4-2-1 etc.

So with a 4-cylinder engine how many tri-y configurations can we have?

Se o cilindro #1 se junta #2, então #3 e #4 tambem se juntam.

Se o cilindro #1 se junta #3, então #2 e #4 tambem se juntam.

Contudo, ambos estes "setups", são considerados em emparelhamento sequencial, porque cada secundaria recebe 2 pulsos sequenciais.

Devido a isto podemos considerar, este dois tipos de "setups" como um so. Sendo que nao afecta os resultados obtidos com o colector.



Podemos então tirar uma conclusão deste artigo. Se é verdade que os colectores 4-1 obtêm melhores resultados em altas e perca em baixas e medias. E que os 4-2-1 apresentam resultados melhores me medias e baixas mas perca em altas.
E que tudo isto é largamente influenciado por característica como se são “stepped”, qualidade dos metais etc…
Porem podemos também dizer que a realidade mudou, e que os novos colectores híbridos nos dão o melhor dos dois mundos. Colectores com maior diâmetro, e maior comprimento, dando bons resultados tanto em medias como em altas, e grandes ganhos em termos de pico. Já não se pode ver os colectores como dois tipos distintos. A era dos híbridos chegou.
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