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Antigo 02-04-2009, 21:06   #1
lude
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Padrão Controlo de estabilidade e tracção (ESP)

Antigamente, o condutor tinha que corrigir por si mesmo a trajectória do carro em situações como curvas inesperadas, bem como situções de emergência como o desvio de obstáculos na estrada.
Infelizmente, essas amnobras de emergência exigem habilidade e nem sempre terminavam bem.
Felizmente, para alguns automóveis isso é coisa do passado: já existe o controle electrónico de estabilidade.

O nome já diz tudo: ele estabiliza o carro. Este, ao começar a derrapar, faz com que o sistema actue como uma grande "mão invisível" que coloca o automóvel de volta a sua trajectória original, quase por magia.

Assim como o sistema ABS e o controle de tracção, o controle electrónico de estabilidade é também um grande auxílio para os condutores em situações de difícil controle do veículo, pois consegue-se estabilizar o carro mesmo em situações extremas.

O segredo do sistema é, basicamente, uma central electrónica que faz a análise constante dos sinais enviados por sensores instalados em diversas partes do veículo.
O sensor de ângulo da direcção regista constantemente as indicações de viragem da direcção desejadas pelo condutor. Ao mesmo tempo, os yaw rate sensors detectam o movimento rotacional do veículo através do seu eixo vertical 25 vezes por segundo. Existe um processador que compara os comandos do condutor com a direcção de condução decorrente. Se uma divergência for detectada, o ESP intervém em apenas fracções de segundo.

Ao ser detectada a iminência de instabilidade, o programa reage accionando, selectivamente, os travões de rodas dianteiras ou traseiras, direitas ou esquerdas, de acordo com a situação. Se necessário, reduz o binário enviado às rodas de tracção. Em uma fracção de segundo, muito mais rápido que um piloto de Fórmula 1 conseguiria, o ESP estabiliza e posiciona o carro na trajectória pretendida pelo condutor, permitindo-lhe manter o controlo do automóvel.

Assim, o programa fornece um elemento extra para a segurança dos ocupantes do automóvel em situações cruciais, reduzindo drasticamente os riscos de perda de controle. A Mercedes-Benz foi a primeira a utilizá-lo, sob a sigla ESP (programa electrónico de estabilidade em inglês), sendo o Classe A o primeiro da sua categoria a dispor deste equipamento de segurança activa. E bem que precisava, já que este carro "nasceu torto" e como se veio a provar, capotava com bastante facilidade!



Vamos imaginar uma situação real em que a presença do sistema se torne necessária. Suponhamos que o condutor entra em uma curva à esquerda mais rápido do que deveria, e o carro comece a derrapar a traseira para fora da curva, ou seja, para a direita. Nesse instante, o controle de estabilidade entra em acção, aplicando força de travagem na roda dianteira direita.

Como consequência, o carro tende a girar para a direita (em sentido contrário ao da curva) e com isso volta à trajectória. O condutor quase não percebe o funcionamento, embora seja indicado por luz-piloto no painel. (ver o triângulo cor-de-laranja no meu avatar)
Se, em vez da traseira, a dianteira foge nessa mesma curva, a roda traseira esquerda é que seria uma travagem suave, recolocando o carro na trajectoria pretendida.

O sistema combina as funções de outros sistemas de segurança activa, como o ABS, controle de tracção (que impede as rodas motrizes de perder a tracção, reduzindo o torque enviado às rodas ou mesmo travando-as), o CBS (Cornering Break Control - que é um tipo de ABS optimizado para curvas) e até a assistência de travagem (BAS - Break Assist System que amplifica a pressão aplicada no pedal em travagens bruscas).



Muitos engenheiros têm trabalhado no seu desenvolvimento e têm testado diversos tipos de istemas de controle de estabilidade. Nestes inúmeros testes realizados, os algorítmos foram sendo optimizados, e os riscos de eprda de controle do veículo reduziram drasticamente.

Por exemplo, em testes realizados pela Mercedes. Foram simuladas situações de pista de gelo, em quatro curvas, onde a aderência dos pneus com o solo se reduzia em mais de 70% em poucos metros percorridos. O resultado, foi que 78% dos condutores convidados não conseguiriam manter seus automóveis na pista. Ao serem auxiliados pelo sistema, porém, todos conseguiriam evitar as derrapagens e escapar das situações propostas.

Pode-se concluir que, basicamente, o controle de estabilidade auxilia o condutor a manter o controle do veículo antes mesmo deste dar conta de que o perdeu. O sistema mantém o carro em equilíbrio dinâmico, eliminando possíveis erros e excessos do condutor.

Convém frisar que, ao contrário do que possa parecer, o sistema não torna ninguém um super condutor: apenas o auxilia nas correcções de trajectória.

Curiosamente, este sistema torna um carro mais lento numa condução desportiva, uma vez que por vezes trava as rodas, chegando mesmo a cortar momentâneamente o combustível para o motor.
No entanto, para a condução do dia-a-dia, torna-se um importante aliado para a segurança rodiviária
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