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Antigo 02-09-2010, 06:12   #11
lude
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Publicado originalmente por Carlos Filipe Sousa Ver Post
lembro-me de cardan, depois de ter visto os bons tópicos sobre diferencias! Não está aqui mencionado.


Na maioria dos casos, a energia mecânica é transmitida da caixa de velocidades ao diferencial por meio do eixo de transmissão. Este consiste num tubo metálico, suficientemente resistente para transmitir a potência total do motor multiplicada pelo sistema de engrenagens.
A extremidade anterior do eixo de transmissão está ligada à caixa de velocidades, que é aparafusada ao chassis ou à estrutura monobloco do automóvel, enquanto a outra extremidade está ligada ao pinhão de ataque do diferencial.
Quando o automóvel circula num piso irregular, o conjunto do eixo traseiro sobe e desce conforme as molas da suspensão flectem, pelo que o eixo de transmissão deverá apresentar cardans nas suas extremidades para que possa oscilar, durante o seu movimento de rotação. Como o movimento do conjunto do eixo traseiro modifica constantemente a distância entre a caixa de câmbio e a união com diferencial, o comprimento do eixo de transmissão deve poder variar na mesma proporção.
Os automóveis de tração à frente e os de motor e tração atrás não necessitam de eixos de transmissão, sendo, neste caso, a energia mecânica transmitida do diferencial existente na caixa de velocidades para as rodas motrizes. Os semieixos apresentam cardans – que permitem os movimentos da suspensão e direção – e uniões deslizantes para tornar possíveis as variações de comprimento.



Liberdade de movimento – Quando o eixo sobe e desce segundo a flexão das molas traseiras, os cardans existentes em cada extremidade do eixo de transmissão permitem a oscilação deste. A amplitude da oscilação do eixo diverge da amplitude da oscilação do eixo de transmissão, pelo que o comprimento deste tem de variar para compensar a diferença. Uma união deslizante existente numa das extremidades do eixo torna possível esta variação.

Componentes de um eixo de transmissão típico




Os cardans existentes em ambas as extremidades do eixo de transmissão permitem que o ângulo deste varie enquanto o eixo secundário da caixa de velocidades e o eixo do pinhão de ataque do diferencial permaneçam sensivelmente paralelos. O eixo de transmissão é fabricado de modo que o seu peso se distribua uniformemente em torno do seu eixo, a fim de evitar qualquer desequilíbrio que daria origem a vibração capaz de danificar os rolamentos da caixa de câmbio e do diferencial.

Os cardans mais utilizados nos automóveis atuais são do tipo HOOK. Este tipo de cardan consiste em duas forquilhas articuladas numa peça central em forma de cruz – cruzeta -, formada por dois pinos que se interceptam em ângulo recto.
As forquilhas, uma no eixo motor e outra no eixo de saída, estão ligadas à cruzeta de modo a formarem ângulo recto entre si. Este tipo de união permite aos eixos rodarem solidários, mesmo que os seus eixos não estejam em linha recta.



Quando os eixos ligados por uma cardan do tipo HOOK giram, formando entre si um determinado ângulo, a velocidade do eixo secundário flutua. Quanto maior for este ângulo, maior será a flutuação em velocidade. Num automóvel de motor dianteiro e tração traseira a flutuação em velocidade não é consideravel, já que o cardan, pelo fato de o eixo de transmissão ser muito comprido, forma ângulos tão pequenos que a velocidade não varia de modo significativo. Além disso, como o eixo motor e o secundário são sensivelmente paralelos, as flutuações nos cardans de cada uma das extremidades do eixo de transmissão anulam-se entre si.
Os automóveis com motor e tração dianteira e os de motor e tração traseira não apresentam eixos de transmissão necessitando, contudo, de cardans para os movimento de suspensão. Nestes modelos, os semieixos que transmitem o movimento às rodas motrizes têm cardans montados ao lado do diferencial. Os automóveis de tração dianteira possuem também cardans de velocidade constante ou homocinéticas, montados nas extremidades dos semieixos correspondentes às rodas motrizes, para permitir os movimentos da direção, bem como os movimentos verticais originados pela suspensão.

Para terminar, um pequeno comentário... Os mecânicos cá em Portugal costumam chamar "cardan" a uma "junta homocinética". Uma junta homocinética é isto:
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"Subviragem é quando bates de frente no muro. Sobreviragem é quando bates de traseira no muro.
Potência é a velocidade com que bates no muro. Binário é até onde consegues levar o muro contigo."

Última edição por lude; 02-09-2010 às 06:25.
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